Houve um tempo em que seu abraço não era opção - se lembra? Não existia o "ser fofo" já que não havia demonstração. Era apenas o convívio naquela época. As conversas intermináveis e a vontade de te ter sempre perto.
E você, sempre tão preso, mantinha a distância, se escondendo no quarto que fazia questão de trancar, ao sair e ao entrar. Nunca entendi muito bem o que me fazia sentir tão completa ao seu lado: costumes tão diferentes; preferências tão parecidas. Inevitavelmente, eu sentia uma vontade de cuidar de você tão grande que nunca coube apenas dentro de mim. Percebi que era amor puro, sem as químicas imundas incorporadas na droga para aumentar o lucro - eu sentia a onda sem adoecer.
E lá estava você, atrás da muralha que eu fiz questão de tentar escalar e começar a quebrar pedras, tentando fazer a diferença. Eu, tão fraca, quis continuar tentando.
Com as mãos cheias de calo, presenciei sorrisos e consegui fixar uma corrente que permitiu não perder território, não perder a vista das barreiras sendo vencidas desde então.
E aí você me deu um chocolate, numa pascoa. E foi a primeira vez que eu soube que você se importava, nem que fosse um pouco. Teria sido mais fácil comê-la, sabe? Mas ver você desprender um bem de si para entregar a alguém me faz feliz até hoje, aquela felicidade que te faz chorar de tão profunda.
Não existe ninguém que eu confie tanto quanto você. Ninguém a quem eu me sinta tão conectada quanto você. Queria que tivesse certeza de que você não é parte da minha vida, porque partes podem ser separadas. Correto seria dizer que você foi integrado a ela e o que existe de mim hoje não seria o mesmo sem você.
Havia uma bolha naquela época, te impedindo de vivenciar o mundo em volta. Mas, olhando bem de perto, pude ver as cores brilhando em sua superfície e soube então que não seria difícil cruzá-la.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
domingo, 11 de agosto de 2013
Você nunca espera que aconteça com você
Queria agradecer, mas não sei bem a quem. Mas o agradecimento eu chego a ter uma certeza mais que absoluta, se isso não superasse o limite do possível. Eu queria agradecer por ter tido o melhor pai de todos. Mesmo não estando mais presente fisicamente, o que ele me ensinou antes continua valendo. Você, F.A.J., me fez humana, me fez real. Cheia de defeitos, mas que tem o que é importante ter de bom. Eu queria que você estivesse aqui para receber o meu "Feliz dia dos pais". Mas, bem, eu te disse um dia. E nada mudou o que eu sentia.
Então fica aqui o meu muito obrigado a quem quer que tenha providenciado minha árvore genealógica. :)
domingo, 4 de agosto de 2013
Infinito
Eu te quero hoje. Mas talvez não amanhã. E como seria estar com você por um tempo que não fosse eterno?
Assim como a constituição de uma personalidade, a vida em si tem muitas características. Uma delas, a incrível temporalidade das coisas, move prioridades e pessoas na linha de tempo constantemente. E como almejar apenas um alvo enquanto desejamos tantas coisas paralela e plenamente? Organizando sonhos em categorias: a única forma de não lidar com a difícil escolha entre eles.
Estamos acostumados a separar a vida amorosa da carreira, dos estudos, do individual e mais quantas segmentações conseguirmos criar para não nos sentirmos traidores dos objetivos que já temos. E dentro dessas definições escolhemos o emprego dos sonhos, o parceiro ideal, o curso que queremos seguir, o desenvolvimento dos hobbies e melhoria das aptidões pessoais, para exemplificar.
Mas e se tivéssemos que confrontá-las? Estabelecer para nós mesmos apenas um objetivo de vida? Quantos estariam dispostos a abrir mão do trabalho perfeito por um amor recém adquirido? A desistir da faculdade para criar uma criança ou deixar o coração de lado para construir uma carreira de sucesso? É quase impossível localizar alguém que nunca tenha tido que fazer escolhas para estar onde está. Mas decidir não é o problema (apesar de ser a parte mais cruel) porque, aparentemente, uma vez eleita, a prioridade é capaz de compensar todas as coisas que você deixou de lado em nome dela. Pelo menos por um tempo.
E se eu quiser não definir uma prioridade? Ou, ao menos, tomar a liberdade para sê-la. Estaria livre para perseguir todos os sonhos ainda que talvez não tivesse nenhum profundo o suficiente para trazer o sentimento de completude da alma. Seria esta a única forma de não permitir a estabilidade tediosa pronta a me acompanhar até o fim dos meus dias, a única maneira de me manter realmente viva. Como se "estar em movimento constante" fosse realmente viver.
A sensação que tenho é como se o conhecimento sobre a vida, o universo e tudo mais fosse transformado em sinapses e então existe um imensurável engarrafamento em minha cabeça quando tento imaginar a grande distância entre ter o espírito livre para pensar ou algo palpável para chamar de meu. Como proveito da dúvida, posso apresentar as muitas perspectivas da história.
Não escolho a liberdade porque quero de fato perseguir mais de um sonho ao mesmo tempo. Antes disso, não saberia do que abrir mão. Ainda, posto que não sei qual seria a prioridade de minha existência, opto por não cultivar nada, tratando tudo como possibilidade.
É necessária muita coragem para chegar lá. Mas aposto que vale mais a pena tomar uma decisão, mesmo perdendo algo, do que ser responsável pela sua própria perda em um universo infinito de hipóteses e falta de posses.
Assim como a constituição de uma personalidade, a vida em si tem muitas características. Uma delas, a incrível temporalidade das coisas, move prioridades e pessoas na linha de tempo constantemente. E como almejar apenas um alvo enquanto desejamos tantas coisas paralela e plenamente? Organizando sonhos em categorias: a única forma de não lidar com a difícil escolha entre eles.
Estamos acostumados a separar a vida amorosa da carreira, dos estudos, do individual e mais quantas segmentações conseguirmos criar para não nos sentirmos traidores dos objetivos que já temos. E dentro dessas definições escolhemos o emprego dos sonhos, o parceiro ideal, o curso que queremos seguir, o desenvolvimento dos hobbies e melhoria das aptidões pessoais, para exemplificar.
Mas e se tivéssemos que confrontá-las? Estabelecer para nós mesmos apenas um objetivo de vida? Quantos estariam dispostos a abrir mão do trabalho perfeito por um amor recém adquirido? A desistir da faculdade para criar uma criança ou deixar o coração de lado para construir uma carreira de sucesso? É quase impossível localizar alguém que nunca tenha tido que fazer escolhas para estar onde está. Mas decidir não é o problema (apesar de ser a parte mais cruel) porque, aparentemente, uma vez eleita, a prioridade é capaz de compensar todas as coisas que você deixou de lado em nome dela. Pelo menos por um tempo.
E se eu quiser não definir uma prioridade? Ou, ao menos, tomar a liberdade para sê-la. Estaria livre para perseguir todos os sonhos ainda que talvez não tivesse nenhum profundo o suficiente para trazer o sentimento de completude da alma. Seria esta a única forma de não permitir a estabilidade tediosa pronta a me acompanhar até o fim dos meus dias, a única maneira de me manter realmente viva. Como se "estar em movimento constante" fosse realmente viver.
A sensação que tenho é como se o conhecimento sobre a vida, o universo e tudo mais fosse transformado em sinapses e então existe um imensurável engarrafamento em minha cabeça quando tento imaginar a grande distância entre ter o espírito livre para pensar ou algo palpável para chamar de meu. Como proveito da dúvida, posso apresentar as muitas perspectivas da história.
Não escolho a liberdade porque quero de fato perseguir mais de um sonho ao mesmo tempo. Antes disso, não saberia do que abrir mão. Ainda, posto que não sei qual seria a prioridade de minha existência, opto por não cultivar nada, tratando tudo como possibilidade.
É necessária muita coragem para chegar lá. Mas aposto que vale mais a pena tomar uma decisão, mesmo perdendo algo, do que ser responsável pela sua própria perda em um universo infinito de hipóteses e falta de posses.
domingo, 21 de julho de 2013
"Se você perguntar, eu negarei
Se oferecer, recusarei
A proteção fala por mim
Imita minha voz"
Eram as palavras que encontrei escritas no papel, na minha bolsa, com a minha letra. Eu nem ao menos lembrava de tê-las declarado ali, em algum momento em que fizesse sentido. Parece que eu pedia socorro. Mas, se está no passado, posso ver que hoje estou bem. Exatamente hoje redescobri em mim quem eu sempre fui. Senti a paixão pela vida e a alegria de ouvir músicas boas. Acho que andava tão cansada, tão preocupada com o que devia ou não fazer que deixei a vida de lado enquanto não me decidia. Mas só por hoje, nesse momento, eu vou dançar. Vou aumentar a música. Deitar se tiver vontade, sem me preocupar se vou perder o dia. Vou pensar no quanto foi bom ontem ter ido ao lugar em que cresci. Pude estar lá para abraçar minha mãe quando as lembranças foram fortes demais e trouxeram algumas lágrimas partilhadas. Desenhei, conversei. Vi lugares bonitos e as cores da decoração de festa junina que eu tanto adoro. Dormi bem. Não preciso evitar ir onde me sinto em casa porque dói ter saudades do meu pai. Ele não deixou de existir no meu coração, nas minhas memórias, nos meus conceitos e princípios que um dia foram dele e eu aprendi, agora reproduzo. E falando de gostar, eu sinto algo por uma pessoa especial. Mas a verdade é que namorar não é o melhor de mim, eu viro só preocupação, esqueço de mim, brigo com quem não merece. E, por muito tempo, eu tenho pensando que eu só tinha duas opções. Ou namorava, e mesmo que me ficasse feliz por isso, não era o que eu queria. Ou passava a não gostar. Nesse conflito, me perdi. Mas hoje decidi que não preciso deixar de sentir o que desenvolvi por essa pessoa que merece esses sentimentos bons e me cativou completamente. Assim como não preciso fazer algo que não gosto. Posso simplesmente guardá-los aqui e transformá-los em sorriso e carinho. E isso me basta.
Se oferecer, recusarei
A proteção fala por mim
Imita minha voz"
Eram as palavras que encontrei escritas no papel, na minha bolsa, com a minha letra. Eu nem ao menos lembrava de tê-las declarado ali, em algum momento em que fizesse sentido. Parece que eu pedia socorro. Mas, se está no passado, posso ver que hoje estou bem. Exatamente hoje redescobri em mim quem eu sempre fui. Senti a paixão pela vida e a alegria de ouvir músicas boas. Acho que andava tão cansada, tão preocupada com o que devia ou não fazer que deixei a vida de lado enquanto não me decidia. Mas só por hoje, nesse momento, eu vou dançar. Vou aumentar a música. Deitar se tiver vontade, sem me preocupar se vou perder o dia. Vou pensar no quanto foi bom ontem ter ido ao lugar em que cresci. Pude estar lá para abraçar minha mãe quando as lembranças foram fortes demais e trouxeram algumas lágrimas partilhadas. Desenhei, conversei. Vi lugares bonitos e as cores da decoração de festa junina que eu tanto adoro. Dormi bem. Não preciso evitar ir onde me sinto em casa porque dói ter saudades do meu pai. Ele não deixou de existir no meu coração, nas minhas memórias, nos meus conceitos e princípios que um dia foram dele e eu aprendi, agora reproduzo. E falando de gostar, eu sinto algo por uma pessoa especial. Mas a verdade é que namorar não é o melhor de mim, eu viro só preocupação, esqueço de mim, brigo com quem não merece. E, por muito tempo, eu tenho pensando que eu só tinha duas opções. Ou namorava, e mesmo que me ficasse feliz por isso, não era o que eu queria. Ou passava a não gostar. Nesse conflito, me perdi. Mas hoje decidi que não preciso deixar de sentir o que desenvolvi por essa pessoa que merece esses sentimentos bons e me cativou completamente. Assim como não preciso fazer algo que não gosto. Posso simplesmente guardá-los aqui e transformá-los em sorriso e carinho. E isso me basta.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
Incontrolável
Sabe aqueles sentimentos que partem de impulso? Aqueles que podem ser comparados a elementos químicos que agitam as partículas no sangue causando um calor extremo ou uma irritação alérgica.
Então. Esses são difíceis de conter. De manter na encolha para ser capaz de fingir que tudo está perfeito como de costume. A alternativa mais fácil se torna o isolamento: já que a sua imagem projetada na minha frente me causaria muita raiva deixo de te ver. E, se deixo, é porque você está certo. Você está bem e feliz. Se estivesse errado, optaria por ficar e esmurrar sua face sem carinho ou brincadeira. Mas, uma vez que o acontecido não é errado, esmurro minha própria cara contra o travesseiro para abafar os gritos que queria dar no seu ouvido, porque, mais uma vez, você está bem. E isso não é tudo que eu queria? Ah, essa dificuldade de ter uma vontade só. Ou de, pelo menos, decidir entre elas qual seria a melhor. Nessa inconformidade de sentimentos, opto por manter apenas o que posso controlar: a distância.
Então. Esses são difíceis de conter. De manter na encolha para ser capaz de fingir que tudo está perfeito como de costume. A alternativa mais fácil se torna o isolamento: já que a sua imagem projetada na minha frente me causaria muita raiva deixo de te ver. E, se deixo, é porque você está certo. Você está bem e feliz. Se estivesse errado, optaria por ficar e esmurrar sua face sem carinho ou brincadeira. Mas, uma vez que o acontecido não é errado, esmurro minha própria cara contra o travesseiro para abafar os gritos que queria dar no seu ouvido, porque, mais uma vez, você está bem. E isso não é tudo que eu queria? Ah, essa dificuldade de ter uma vontade só. Ou de, pelo menos, decidir entre elas qual seria a melhor. Nessa inconformidade de sentimentos, opto por manter apenas o que posso controlar: a distância.
domingo, 7 de julho de 2013
one two times
Duas vezes frustrantes. Duas vezes em que a felicidade não foi completamente atingida. A frustração é notável. E a ânsia pelo sorriso e o abraço de uma das vezes foi repetida na segunda. Onde você estava? Em uma das vezes até vi algo que deveria ser você, mas não era. Onde você estava que não correspondeu meu olhar enquanto parecia atravessar minha cabeça com o seu? E onde você está agora? Que não estava ali, compartilhando as risadas causadas pelo filme e pela alegria na sua presença?
Eu cheguei a comprar seu ingresso. Mas do meu lado ficou sobrando um lugar.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Conflito
Os dois lados da história me assustaram hoje. Quando ouvi que você estaria no local que me chamaram para ir, imediatamente a resposta foi um sim. Me surpreendi com um enorme frio na barriga e foi estranho. Mas antes que o meu próprio comportamento pudesse ser classificado como impróprio e responsável por me colocar em detenção, eu te vi. E a forma que você me olhou, um brilho frio. Não desprezo, mas indiferença... talvez você não saiba o quanto conseguiu machucar com tão pouco. Como se a pessoa cheia de vida e carinhosa não estivesse ali. Tudo bem que às vezes as pessoas precisam relaxar, não se importar com mais nada, ainda mais com algo que não significa nada, mas foi assustador da mesma forma. Não que isso seja uma reclamação, antes que alguém fique revoltado enquanto lê. Até porque, se era a ideia agir friamente, não tiro direitos. Talvez o problema seja a falta de previsão. Eu não esperava secura em rios antes tão fartos, entende?
Durante a pertubação de não compreender o que estava acontecendo, percebi o quanto tenho dificuldade de expor sentimentos tristes. E foi aí que percebi o quanto me fechei. Eu vi meus amigos por perto, mas fui calculista ao ponto de engolir a tristeza ao ver que eles estavam se divertindo, e não quis intervir com algo ruim. Pensei em falar com a pessoa em questão. Primeiro para dizer como eu estava me sentindo, mas pareceu pouco importante. Depois para perguntar se estava tudo bem, mas me pareceu chato, sabe? Ela também estava se divertindo.
E mais uma vez me peguei fazendo o de costume e me afastei para as pessoas continuarem a vida feliz, porque é o que realmente importa. Sem surpresas aqui.
sábado, 22 de junho de 2013
I used to be my own protection
Ouvindo essa música agora, parece que tudo passa a fazer sentido. A progressão dos acordes acompanha o coração que bate mais forte descobrindo sentimentos não explorados. Ver o seu rosto, detalhando seu sorriso... A visão que lembro em câmera lenta acompanhando o ritmo da melodia que nem sequer combina com o estilo da banda. Só me faz pensar no quanto não era pra ser, mas se tornou (em todas as coisas que passam por isso). E se tornou o tipo de coisa que me faz correr de medo e me afastar, construindo muralhas com cobertores.
Se eu estiver longe, é porque descobri que posso estar gostando. Se estiver perto, é porque estou matando saudades antes de esconder o sangue pulsando que cora as maçãs do rosto. De um jeito ou de outro, estarei sempre vivendo presa nos meus próprios pensamentos.
Se eu estiver longe, é porque descobri que posso estar gostando. Se estiver perto, é porque estou matando saudades antes de esconder o sangue pulsando que cora as maçãs do rosto. De um jeito ou de outro, estarei sempre vivendo presa nos meus próprios pensamentos.
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Fora do disco: Eles
Se ao menos ele soubesse que tão perto dele havia alguém que o enxergou. Mas então ele diria que ela não o conhecia, desmerecendo seu olhar. Ela contrairia uma raiva repentina e contrariaria ele. Até que partindo do debate, e somente assim, as coisas pudessem se ajeitar. E olha que muita gente evita o confronto, sem saber que apenas com ele as coisas ficam claras o suficiente para serem resolvidas; é o fim da mentira fingida.
Se ela soubesse que ele queria estar ao seu lado uma quantidade imprevisível de tempo que poderia se tornar um infinito, ela diria que infinito não existe. Que só dá para saber que durou todo o tempo quando o tempo acaba e então não restariam palavras para escorregar por meio dos lábios mortos quando a hora chegasse.
E essa tornou-se uma história sobre comunicação e a falta dela. Existem muitos erros e acertos, em todas as áreas possíveis. Mas irremediável mesmo é achar que adivinhação existe.
Se ela soubesse que ele queria estar ao seu lado uma quantidade imprevisível de tempo que poderia se tornar um infinito, ela diria que infinito não existe. Que só dá para saber que durou todo o tempo quando o tempo acaba e então não restariam palavras para escorregar por meio dos lábios mortos quando a hora chegasse.
E essa tornou-se uma história sobre comunicação e a falta dela. Existem muitos erros e acertos, em todas as áreas possíveis. Mas irremediável mesmo é achar que adivinhação existe.
Lado B: Ele
Eu nunca vi um sorriso tão lindo - ele pensou.
"E os olhos refletem o céu. Já passei na frente dela três vezes e tudo que ela faz é abaixar a cabeça; não me encara quando a olho. Rabisca algo que nem sei o que é mas parece interessante por ser. Não ousaria incomodá-la. Inexplicavelmente, sinto que ela poderia ser tudo para mim e logo em seguida temo que muito seria demais, e eu seria pouco. Não nego que me esforçaria, mas como poderia lidar com um brilho de desprezo naqueles olhos?"
Ele procurou uma posição no ônibus que permitisse continuar a ficá-la pelo vidro embaçado, contando os segundos para que a miragem desaparecesse. Sabia que por motivos culturais era esperado dele alguma iniciativa. No entanto, ela parecia tão desinteressada.
"E como poderia estar diferente disso? Ela, quase um anjo, notavelmente especial e sem comparação com qualquer um que passava. Se ao menos ela soubesse que eu só tenho olhos para ela... Se bem que nesse caso eu seria apenas mais um; mais uma figura desbotada no quadro dela."
Como alguém que não tinha valor, ele seguia os dias olhando para o mundo, de fora. Nunca chegou a participar. Se sentia frágil diante de todas as hipóteses ruins e pouco para tudo que pudesse lhe acontecer de bom, não digno de merecimento. Como caracterizar como vida algo que nunca existiu? Algumas pessoas acham que não têm que mudar. Mas sem melhoria estamos só andando em círculos; talvez em espiral para baixo, nos afundando no poço.
"E os olhos refletem o céu. Já passei na frente dela três vezes e tudo que ela faz é abaixar a cabeça; não me encara quando a olho. Rabisca algo que nem sei o que é mas parece interessante por ser. Não ousaria incomodá-la. Inexplicavelmente, sinto que ela poderia ser tudo para mim e logo em seguida temo que muito seria demais, e eu seria pouco. Não nego que me esforçaria, mas como poderia lidar com um brilho de desprezo naqueles olhos?"
Ele procurou uma posição no ônibus que permitisse continuar a ficá-la pelo vidro embaçado, contando os segundos para que a miragem desaparecesse. Sabia que por motivos culturais era esperado dele alguma iniciativa. No entanto, ela parecia tão desinteressada.
"E como poderia estar diferente disso? Ela, quase um anjo, notavelmente especial e sem comparação com qualquer um que passava. Se ao menos ela soubesse que eu só tenho olhos para ela... Se bem que nesse caso eu seria apenas mais um; mais uma figura desbotada no quadro dela."
Como alguém que não tinha valor, ele seguia os dias olhando para o mundo, de fora. Nunca chegou a participar. Se sentia frágil diante de todas as hipóteses ruins e pouco para tudo que pudesse lhe acontecer de bom, não digno de merecimento. Como caracterizar como vida algo que nunca existiu? Algumas pessoas acham que não têm que mudar. Mas sem melhoria estamos só andando em círculos; talvez em espiral para baixo, nos afundando no poço.
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