terça-feira, 4 de março de 2014
A chave
Aqui estou trancada no quarto. Sem roupa. Sem um sequer nó de tensão no corpo. Pedi que levasse a chave para evitar minha obrigação de levantar eu mesma e virá-la duas vezes na fechadura, como se eu conseguisse fazer isso agora. Na verdade, as pernas tremem mais do que posso controlar e constituem um peso tão grande que apenas consigo arrastá-las no colchão para ajeitar-me numa posição mais confortável.
De olhos fechados, revivo os momentos passados, frescos no suor ainda não seco. Cada frase e toque que me deixaram quente possuem o mesmo poder na imaginação e gasto o tempo na esperança de ouvir o barulho da porta se abrindo; me libertando e te trazendo de volta.
Cada palavra que você disse sussurrando com suavidade em meu ouvido tornou-se sonho, fez-me leve. E cada detalhe delicado trouxe vontade para entendê-lo, potencializando os sentimentos e as sensações. Até que pude então transbordar de paixão, não mais capaz de conter ou temer tudo que você se tornou para mim. O coração acelerado, os olhos molhados e tudo que tive vontade de dizer foi que te amo, mesmo que você já saiba.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Onde nos conhecemos
Eu lembro de virar a rua. O que seria simples, se não fosse para o lado errado. Fiquei perdido por pelo menos uma hora até descobrir que estava. Cidade nova, pessoas estranhas circulando. A mudança a menos de uma semana acrescida da comum falta de tempo fez com que eu lesse uma informação errada do mapa que procurei na internet. Uma rua de diferença e nenhum dos pontos de referência servia para nada. Insisti no erro: paguei o preço de não saber o caminho de volta.
"Eu devia estar naquela entrevista", pensei. E eu "devia" estar em tantos lugares. Por que não gastei mais tempo prestando atenção na instrução de como chegar?
Continuei seguindo, vi sinais onde não havia. "Quem sabe alguma coisa mudou. Provavelmente ninguém atualiza aquilo diariamente e de graça".
O céu estava fechado, naquele dia. Nuvens ameaçadoras e enegrecidas sobrevoavam os prédios antigos. Foi quando vi uma moça. Parei para observá-la e gotas pequenas e geladas de chuva tentavam, sem sucesso, esfriar meu coração. Ela e seu cabelo bagunçado, emoldurando um rosto corado e sardento, me conquistaram de longe, sem me ver.
Assisti enquanto ela pegava com cuidado as flores expostas do lado de fora da floricultura - prevenção tardia para a chuva, que já começara.
- Quer uma ajuda? - Ofereci com simpatia, aproximando-me.
- Depende. Tudo depende. Se não estiver perguntando só por achar que eu sou um esteriótipo de fofura e alegria, pode ajudar. Por que eu também canso, sabia? - Bravejou ela, num só fôlego, enquanto levantava uma caixa pesada.
Sem saber exatamente como responderia ao surto de honestidade, peguei uma caixa e a segui para dentro da loja.
- Achei sim. Esteriótipo de perfeita para mim. Mas a chuva já começou e você precisa de ajuda. Eu me perdi. Perdi a entrevista na qual eu devia estar há meia hora. Não sei nem voltar para casa, inclusive. Então, se importa?
Deixei a caixa alinhada com as demais e saí da loja para buscar mais uma. Ela me seguiu.
- Você pode, por favor, não se apaixonar por mim?
- Não acha que está sendo pretensiosa?
- Acho! Mas talvez parecer pretensiosa possa te fazer não se apaixonar por mim. Eu não consigo lidar com isso agora. - Enfatizou o não tanto quanto conseguiu.
- Podemos ter uma conversa normal de pessoas que não se conhecem enquanto guardamos as flores? Essa chuva deve aumentar.
Ela suspirou profundamente, fechando os olhos enquanto o fazia. Abaixou, pegou um vaso que orquídeas cor-de-rosa, cuja placa dizia "Pink Lady", perguntou o nome da minha rua e disse que sabia onde ficava, quando falei.
- E a entrevista? Era pra quê? Digo... com que tipo de coisa você trabalha.
- Contabilidade.
- Contabilidade? Jura? Não acha entediante?
- Já trabalho há anos nesse ramo. Além do mais, não dá pra ignorar o tempo gasto com faculdade, certo?
-Então... Contabilidade? Jura? Não acha entediante?
Reparei que minha cabeça havia tombado ligeiramente para o lado direito, como quem não compreendeu e está tentando assimilar, quando ela começou a explicar.
- Você não me disse como se sente. E essa é a única parte que conta.
- A verdade é que não foi a faculdade que escolhi. Minha família já possuía um escritório e todos decidiram que seria mais fácil se eu simplesmente continuasse algo já existente.
- E se mudou por quê?
- Eu preciso de um pouco de espaço, na verdade. Não sei se gosto da ideia de ter a vida inteira decidida.
- E veio para uma cidade diferente trabalhar com... contabilidade?
- É a única coisa que sei fazer!
- Você não faz o menor sentido. Veio, como se quisesse mudar mas na verdade vai continuar se escondendo no futuro já decidido. Não importa onde você está desse jeito.
A essa altura, já não haviam mais flores para guardar e estávamos apenas nos encarando. Ela parecia tão irritada e eu nem entendia o motivo.
Discutimos até o início da madrugada. Foram horas de perguntas e explicações insuficientes. Parecia que ela simplesmente não aceitava meus pontos de vista como argumentos. Nunca tinha me sentido tão desafiado. Estava cego de vontade de provar o quanto ela estava errada, mas não estava.
Por mais que meus olhos focassem a boca dela, e o quanto esta não parava de se mexer, pensei em mim mesmo, atordoado. Somente com aquela conversa pude pensar e definir quem realmente sou e aquela cidade se tornou o lugar onde me conheci. E, por mais que possamos contar com a ajuda de alguém, cabe apenas a nós descobrirmos quem somos.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Ignorância
E então você se põe a falar por ela. Decide em suas próprias palavras a resposta para cada questão. Facilita o processo de compartilhamento assumindo que sabe tudo sobre o assunto. Sem saber que nunca irá realmente conhecê-la.
E então você esquece de analisar o silêncio. Perceber os trejeitos fora de foco; detalhes da tentativa de fuga. Você ignora o pedido de ajuda. Não para enquanto ela não pede. Mas e se a tolerância for maior do que tudo? Será que nesse caso a dor deveria ser desconsiderada em vez de evitada só por que pode ser suportada?
E então você se perde no seu próprio mundo. Aquele que só admite uma opinião correta. Até que alguém fale o que você deveria ter descoberto sozinho.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Reflexo
Naquela noite eu era dela. Sem mas ou mais. Sem motivo ou necessidade. Apenas possuía o sentimento de ser tomado sem pertencer. Não havia laço, algema ou contrato estabelecido; nada que me fizesse ficar por obrigação.
Perdia-me admirando seu sorriso pois o resto era névoa. A mão que segurava a minha para guiar-me por entre a multidão também queimava-me os sentidos, anestesiava minhas possíveis reações - eu estava entregue.
O desejo poderia ter feito de mim refém, tal como escravo vendido acompanharia teus passos para minha perdição. Mas não. Ela absolveu-me de toda a culpa e solidão, mesmo sem estar ao meu lado. Seus lábios eram vermelho e futuro. No entanto, da distância em que estava, tudo que eu via era esperança.
Naquele momento eu a amei por me dar nada. Ela estava lá, enquanto eu perseguia minhas crenças. Ela estava lá e tornei-me melhor por mim mesmo. Não me consertou, a menina do sorriso infinito. Não me moldou em suas curvas ou aliviou meu cansaço. Apenas me deu vontade de sorrir também. Um par de lábios repuxados só meu. Meu para que eu desse a ela, mas meu.
E eu fui capaz de ressuscitar, trazer à superfície o que havia de bom em mim.
Não me beijou. Mas certificou com os dedos o contorno dos lábios. Engoli em seco porquanto era cuidadosamente analisado sem saber se seria aprovado.
Ela nunca mais soltou minha mão e eu fui para sempre feliz.
Perdia-me admirando seu sorriso pois o resto era névoa. A mão que segurava a minha para guiar-me por entre a multidão também queimava-me os sentidos, anestesiava minhas possíveis reações - eu estava entregue.
O desejo poderia ter feito de mim refém, tal como escravo vendido acompanharia teus passos para minha perdição. Mas não. Ela absolveu-me de toda a culpa e solidão, mesmo sem estar ao meu lado. Seus lábios eram vermelho e futuro. No entanto, da distância em que estava, tudo que eu via era esperança.
Naquele momento eu a amei por me dar nada. Ela estava lá, enquanto eu perseguia minhas crenças. Ela estava lá e tornei-me melhor por mim mesmo. Não me consertou, a menina do sorriso infinito. Não me moldou em suas curvas ou aliviou meu cansaço. Apenas me deu vontade de sorrir também. Um par de lábios repuxados só meu. Meu para que eu desse a ela, mas meu.
E eu fui capaz de ressuscitar, trazer à superfície o que havia de bom em mim.
Não me beijou. Mas certificou com os dedos o contorno dos lábios. Engoli em seco porquanto era cuidadosamente analisado sem saber se seria aprovado.
Ela nunca mais soltou minha mão e eu fui para sempre feliz.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Semiologia
Se você tivesse que ir, deixaria que partisse de bom grado. Contaria, porém, um por um dos segundos até que voltasse. Entendo o cansaço, a dificuldade, a preocupação: se você entender que vou permanecer firme do teu lado. Independente deles. Esperando que o sorriso venha na hora certa.
Se você estivesse triste talvez eu não fosse a primeira pessoa a fazer uma piada e conquistar como consequência a volta de tua alegria. Graça nunca foi meu forte e você é infinitamente melhor nisso do que eu. Mas eu estaria lá ainda, fazendo meu comentário aleatório para fugir do assunto, te fazendo esquecer e enxergar o lado positivo de alguma coisa na vida. É minha mania e minha forma de aliviar tua dor.
Queria poder te dar o abraço consolador e preparar um banho quente, um cobertor. Dispensar o vício da semiologia e escutar o que você sente. Só para dizer que te aceito, que te quero.
O medo da vulnerabilidade me afasta; me defende. Já a tua felicidade, ela me puxa de volta. Invisto meu tempo, gasto meu carinho, renovo meu afeto. Torna impossível que eu desista e inevitável lidar com a insegurança frequente.
Não há caminho, além dos teus passos. Outros lábios, outros abraços. É uma vontade inexplicável de largar o mundo de sorrisos só para que ele seja real. Esquecer as ilusões construídas com literatura kitsch e viver os problemas de te ter por completo.
O engraçado é que quanto mais reduzo o pedestal maciço que estabeleci para você, menor fica o masoquismo controlado de almejar o impossível, minha querida grama verde. Só posso concluir que o trabalho excessivo em pensar foi bem recompensado.
Se você estivesse triste talvez eu não fosse a primeira pessoa a fazer uma piada e conquistar como consequência a volta de tua alegria. Graça nunca foi meu forte e você é infinitamente melhor nisso do que eu. Mas eu estaria lá ainda, fazendo meu comentário aleatório para fugir do assunto, te fazendo esquecer e enxergar o lado positivo de alguma coisa na vida. É minha mania e minha forma de aliviar tua dor.
Queria poder te dar o abraço consolador e preparar um banho quente, um cobertor. Dispensar o vício da semiologia e escutar o que você sente. Só para dizer que te aceito, que te quero.
O medo da vulnerabilidade me afasta; me defende. Já a tua felicidade, ela me puxa de volta. Invisto meu tempo, gasto meu carinho, renovo meu afeto. Torna impossível que eu desista e inevitável lidar com a insegurança frequente.
Não há caminho, além dos teus passos. Outros lábios, outros abraços. É uma vontade inexplicável de largar o mundo de sorrisos só para que ele seja real. Esquecer as ilusões construídas com literatura kitsch e viver os problemas de te ter por completo.
O engraçado é que quanto mais reduzo o pedestal maciço que estabeleci para você, menor fica o masoquismo controlado de almejar o impossível, minha querida grama verde. Só posso concluir que o trabalho excessivo em pensar foi bem recompensado.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
Map of your head
Hoje reencontrei o céu que me inspirava
De fora da rachadura no teto que não mais me incomodava
Seria poético dizer que era azul como seus olhos
Mas nem as pálpebras escondem o castanho brilhante.
Fisicamente, o ponto de vista estava fixado na mesma coordenada;
Diário, eterno.
Já a mente não poderia ser forçada a entrar no ângulo correto,
Contar os graus ou comandar os sentidos.
Não.
O coração era escravo do desejo da mente,
Tão sofridamente controladora
Acostumada aos tempos difíceis.
Parado ali, de forma inesperada,
Achei meu céu.
Sem ilusão dos sentimentos criados.
Era real.
As mesmas tonalidades intensas,
O mesmo tema de tantos textos já escritos por mim
Pensei que tinha esquecido sua localização,
Mas percebi que não se tratava disso:
Meu céu era um estado.
De fora da rachadura no teto que não mais me incomodava
Seria poético dizer que era azul como seus olhos
Mas nem as pálpebras escondem o castanho brilhante.
Fisicamente, o ponto de vista estava fixado na mesma coordenada;
Diário, eterno.
Já a mente não poderia ser forçada a entrar no ângulo correto,
Contar os graus ou comandar os sentidos.
Não.
O coração era escravo do desejo da mente,
Tão sofridamente controladora
Acostumada aos tempos difíceis.
Parado ali, de forma inesperada,
Achei meu céu.
Sem ilusão dos sentimentos criados.
Era real.
As mesmas tonalidades intensas,
O mesmo tema de tantos textos já escritos por mim
Pensei que tinha esquecido sua localização,
Mas percebi que não se tratava disso:
Meu céu era um estado.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
O momento certo
Lembro de ver a lua pela janela quando tudo começou. Um beijo tímido, futuramente úmido, preencheu meus lábios, contornos pendentes. E a carne neles tornou-se vermelha, mordida. Mesmo sem voz, conseguiu chamar meu anseio. O calor recebido virou troca. Pude jogá-lo para baixo de mim e deslizar em suas formas; transportar as unhas do começo ao fim de sua existência, só para provocar reações químicas. O corar da tua face revelava segredos enquanto os olhares transbordavam mistério. Queria lê-lo com a língua e amar cada medo.
Uma batida lenta embalava cada toque, parecia dar o tom certo para o arrepio. As mãos se encontraram, se prenderam, se colocaram com força contra o lençol. O suor da pele molhada fazia com que os corpos se perdessem. No tempo. Na dança. Um no outro.
A visão era turva. A luminária azul ressaltava apenas o brilho do movimento, do corpo suculento, se guiando num contrapasso que, intermitente, intercalava os ritmos e trazia embriaguez.
Não respirávamos. Apenas inspirávamos o perfume um do outro, exalando cada vez mais forte da pele aquecida.
E então o sol começava a nascer, revelando os sorrisos, olhares satisfeitos. Deixando que a brisa refrescasse a sensação trêmula, exausta. As juras não se fizeram necessárias. Ou qualquer palavra que definisse ou explicasse. A conexão havia sido estabelecida. O compromisso em trazer a felicidade sincera para o amado era simples e natural.
A pele sensível presa num abraço infinito e eles dormiram, sem apagar a ideia de que tinham um ao outro.
Uma batida lenta embalava cada toque, parecia dar o tom certo para o arrepio. As mãos se encontraram, se prenderam, se colocaram com força contra o lençol. O suor da pele molhada fazia com que os corpos se perdessem. No tempo. Na dança. Um no outro.
A visão era turva. A luminária azul ressaltava apenas o brilho do movimento, do corpo suculento, se guiando num contrapasso que, intermitente, intercalava os ritmos e trazia embriaguez.
Não respirávamos. Apenas inspirávamos o perfume um do outro, exalando cada vez mais forte da pele aquecida.
E então o sol começava a nascer, revelando os sorrisos, olhares satisfeitos. Deixando que a brisa refrescasse a sensação trêmula, exausta. As juras não se fizeram necessárias. Ou qualquer palavra que definisse ou explicasse. A conexão havia sido estabelecida. O compromisso em trazer a felicidade sincera para o amado era simples e natural.
A pele sensível presa num abraço infinito e eles dormiram, sem apagar a ideia de que tinham um ao outro.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Ensaio de partir
- Por que você teve que ir? - Ela perguntou.
Ao final da frase a resposta já estava declarada, automaticamente. Porque pessoas vão embora. De vez em quando, partem antes de fazer falta. Em outros casos, permanecem por tanto tempo que parece nunca irão. No entanto, eventualmente, partir é algo que vai acontecer. A não ser, é claro, que quem vá seja você mesmo.
Algumas vão embora por elas mesmas; insatisfação. Outras deixamos ir; desvalorização. Se nenhum dos dois motivos as afastar, a morte vem para fazer cumprido o destino: nada dura para sempre. O fim é parte humanidade; manutenção da vida.
E como fazem isso bem, não é? Partir. Porque, no final, não é só o ir embora que conta; é partir o coração em pedaços mesmo. Talvez o verbo nem tivesse esse significado de abandonar se não fosse associado ao coração quebrado que quem vai deixa para trás.
Mas é natural, claro, nos faz permanecer em movimento, o relógio sempre marcando suas badaladas. Nunca vai parar de acontecer, entretanto. Assim como nunca será anestesiada a dor.
Ao final da frase a resposta já estava declarada, automaticamente. Porque pessoas vão embora. De vez em quando, partem antes de fazer falta. Em outros casos, permanecem por tanto tempo que parece nunca irão. No entanto, eventualmente, partir é algo que vai acontecer. A não ser, é claro, que quem vá seja você mesmo.
Algumas vão embora por elas mesmas; insatisfação. Outras deixamos ir; desvalorização. Se nenhum dos dois motivos as afastar, a morte vem para fazer cumprido o destino: nada dura para sempre. O fim é parte humanidade; manutenção da vida.
E como fazem isso bem, não é? Partir. Porque, no final, não é só o ir embora que conta; é partir o coração em pedaços mesmo. Talvez o verbo nem tivesse esse significado de abandonar se não fosse associado ao coração quebrado que quem vai deixa para trás.
Mas é natural, claro, nos faz permanecer em movimento, o relógio sempre marcando suas badaladas. Nunca vai parar de acontecer, entretanto. Assim como nunca será anestesiada a dor.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
CAMINHOS OPOSTOS
Era noite quando constatei que a temperatura quente poderia ser considerada refresco para o forte sol do dia. Não parando por aí, reparei na iluminação; amarela como eu gostava. Ao longe, conseguia ver as luzes dos prédios que ladeavam a lagoa. A vista era favorável, mas não o mais importante. Registro essa parte para que quando feche os olhos você possa imaginar, quem sabe acreditar, que pode ser real.
Eu o encontrei. Espiei-o de longe por alguns momentos. Ele e o cabelo espantado contornando feições sonolentas. Uma vez ele me disse o quanto é interessante se manter um pouco longe da pessoa que você gosta, pois é a única chance de vê-la por inteiro. De fato, é. Por alguns minutos, você se perde analisando todos os detalhes.
Quando me aproximei, vi um sorriso. Foi tudo que eu precisei como recompensa do dia cansativo inteiro. Sem intenção de soar melosa, esse é um texto sentimental. Espero que, caso venha a encará-lo dessa forma, leve de troco a sensação que tive ao vê-lo ali sentado como se fosse sua.
Conversamos por um tempo. Queria que parecessem palavras intermináveis para que eu ficasse presa naquele momento, mas não. Desejava mais e mais.
A parte engraçada sobre a noite é que os caminhos eram opostos quando nos despedimos. Atravessei a rua, o vi partir. Mas, de alguma forma, sempre voltamos a nos encontrar. Ir embora significava apenas sentir saudades e esperar pela próxima vez.
Eu o encontrei. Espiei-o de longe por alguns momentos. Ele e o cabelo espantado contornando feições sonolentas. Uma vez ele me disse o quanto é interessante se manter um pouco longe da pessoa que você gosta, pois é a única chance de vê-la por inteiro. De fato, é. Por alguns minutos, você se perde analisando todos os detalhes.
Quando me aproximei, vi um sorriso. Foi tudo que eu precisei como recompensa do dia cansativo inteiro. Sem intenção de soar melosa, esse é um texto sentimental. Espero que, caso venha a encará-lo dessa forma, leve de troco a sensação que tive ao vê-lo ali sentado como se fosse sua.
Conversamos por um tempo. Queria que parecessem palavras intermináveis para que eu ficasse presa naquele momento, mas não. Desejava mais e mais.
A parte engraçada sobre a noite é que os caminhos eram opostos quando nos despedimos. Atravessei a rua, o vi partir. Mas, de alguma forma, sempre voltamos a nos encontrar. Ir embora significava apenas sentir saudades e esperar pela próxima vez.
sábado, 19 de outubro de 2013
Sem ter final
Poderia ser um beijo de chuva
Ou uma mão entrelaçando os cabelos
Poderia trazer chocolate ou flor
Quem sabe, talvez dedicar uma música
Mas eu não acho que isso seja tudo
E não acho que eu vá estar longe o suficiente
Para ver a história inteira
Não quero estar, não quero ver acabar
Para saber se o resultado foi positivo.
Os personagens, você sabe, de contos de fadas
Eles são feitos de dedicação
Vivendo apenas para esperar o fim
Somente os outros poderão dizer que viveram em paz,
Quando a última página for virada
Trazendo com ela o final do livro.
Mas e se eu quiser um durante?
O gostar deixou de ser uma ação bonita,
Uma foto do álbum.
Tem seu impacto, gera sua consequência
Beija sua recém-declarada esposa nos lábios
O gostar não é aquilo que se torna
Mas algo que, se você reparar,
Já estava ali te acompanhando
Independente do momento em que a aliança foi colocada
Desconexo do status ou da obrigatoriedade
- Gostar não necessita de reciprocidade
E é por isso que você não representa
A vontade de ter um final feliz
Ainda que seja príncipe
O que você representa
É a vontade de ser feliz
Sem ter final
Ou uma mão entrelaçando os cabelos
Poderia trazer chocolate ou flor
Quem sabe, talvez dedicar uma música
Mas eu não acho que isso seja tudo
E não acho que eu vá estar longe o suficiente
Para ver a história inteira
Não quero estar, não quero ver acabar
Para saber se o resultado foi positivo.
Os personagens, você sabe, de contos de fadas
Eles são feitos de dedicação
Vivendo apenas para esperar o fim
Somente os outros poderão dizer que viveram em paz,
Quando a última página for virada
Trazendo com ela o final do livro.
Mas e se eu quiser um durante?
O gostar deixou de ser uma ação bonita,
Uma foto do álbum.
Tem seu impacto, gera sua consequência
Beija sua recém-declarada esposa nos lábios
O gostar não é aquilo que se torna
Mas algo que, se você reparar,
Já estava ali te acompanhando
Independente do momento em que a aliança foi colocada
Desconexo do status ou da obrigatoriedade
- Gostar não necessita de reciprocidade
E é por isso que você não representa
A vontade de ter um final feliz
Ainda que seja príncipe
O que você representa
É a vontade de ser feliz
Sem ter final
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