É comum do ser a atração pela luz. Aquele brilho que fascina
puxando a saturação para si só enquanto suaviza e desbota o restante da cena.
Só que o calor da fogueira que aconchega é exatamente o mesmo da brasa que
queima. Não adianta pedir para não colocar o dedo na tomada, a criança será
compelida machucar-se tentando se aproximar do curioso objeto de afeição. Toda
luz não apenas acende, mas hipnotiza; te seduz fazendo-se de sua beleza.
Talvez a religião funcione porque a criatura não chega até o
criador para se deparar com o vazio. Caso contrário, seria como o amor que se
vai junto com o platonismo quando o admirador alcança sua musa dourada em um
pedestal perfeitamente polido.
A dor é um sentimento imensurável. Por mais que você saiba
como, não saberá quanto e, por mais que você saiba quando, o conhecimento nunca
irá amenizá-la. Dessa forma, eu entendo como os insetos morrem queimados na
eletricidade idolatrada. Eles tentam perseguir um sonho que nem ao menos conseguem
evitar ter, tamanho é o brilho da luz. Talvez eles saibam da morte e escolham,
mesmo assim, chegar mais perto e sentir o calor. Valeria mais a vida longa no
escuro de uma noite fria? Ou, que seja rápida sua passagem pelo mundo, mas que
possam explodir de paixão indescritível, encontrando o que sempre quiseram?
As feridas são inevitáveis. Mas a falta de sentido é
imperdoável. Não arriscar seu sangue naquilo que você espera de sua vida é o mesmo
que nascer e morrer em vão; aprender o básico e, conformado com isso, sentar-se
no asilo, esperando que a aparição em vestes negras te leve para o
desconhecido. Só você pode escolher entre ter a pele talhada ou evitar as
marcas que te lembram de quem você é. Mas eu tenho certeza que antes de cair
desgovernadamente no chão, as asas daqueles que perseguiram a luz brilharam ao
tocá-la.