quarta-feira, 8 de maio de 2013

Insetos e Lamparinas


É comum do ser a atração pela luz. Aquele brilho que fascina puxando a saturação para si só enquanto suaviza e desbota o restante da cena. Só que o calor da fogueira que aconchega é exatamente o mesmo da brasa que queima. Não adianta pedir para não colocar o dedo na tomada, a criança será compelida machucar-se tentando se aproximar do curioso objeto de afeição. Toda luz não apenas acende, mas hipnotiza; te seduz fazendo-se de sua beleza.
Talvez a religião funcione porque a criatura não chega até o criador para se deparar com o vazio. Caso contrário, seria como o amor que se vai junto com o platonismo quando o admirador alcança sua musa dourada em um pedestal perfeitamente polido.
A dor é um sentimento imensurável. Por mais que você saiba como, não saberá quanto e, por mais que você saiba quando, o conhecimento nunca irá amenizá-la. Dessa forma, eu entendo como os insetos morrem queimados na eletricidade idolatrada. Eles tentam perseguir um sonho que nem ao menos conseguem evitar ter, tamanho é o brilho da luz. Talvez eles saibam da morte e escolham, mesmo assim, chegar mais perto e sentir o calor. Valeria mais a vida longa no escuro de uma noite fria? Ou, que seja rápida sua passagem pelo mundo, mas que possam explodir de paixão indescritível, encontrando o que sempre quiseram?
As feridas são inevitáveis. Mas a falta de sentido é imperdoável. Não arriscar seu sangue naquilo que você espera de sua vida é o mesmo que nascer e morrer em vão; aprender o básico e, conformado com isso, sentar-se no asilo, esperando que a aparição em vestes negras te leve para o desconhecido. Só você pode escolher entre ter a pele talhada ou evitar as marcas que te lembram de quem você é. Mas eu tenho certeza que antes de cair desgovernadamente no chão, as asas daqueles que perseguiram a luz brilharam ao tocá-la. 

sábado, 4 de maio de 2013

Primeiro de abril

Parecia mentira
Os beijos dela no sorriso dele
Respirar a paz tão procurada
Parecia até loucura
Pensar na realidade
Até que a felicidade era tudo que eles pensavam.

Naqueles momentos houve perfeição
Independente do que aconteça
Nunca mais a melhor visão será alterada
A história tornou-se palpável
E eles puderam possuí-la sem se possuir.

Eu não mudaria nada, além de mim mesma
Mas ainda há tanto para entender do que sinto
Que tenho a impressão que até a mudança
Pode já existir dentro de mim
E ainda não achei
Eu ainda não sei
Mas é normal não saber o que o futuro tratá
Tudo que posso fazer é o que julgo ser certo
E a certeza agora é que
Eu não mudaria nada, além de mim mesma

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Se eu te falasse o que sinto

Talvez a história tenha sido o bastante para que você entendesse do que sou feita. Mas se eu te falasse o que sinto, você estaria aqui, no mesmo lugar, petrificado demais para fugir de mim. Seria de minha responsabilidade não te despir de suas defesas, mas quando, aos olhos, o encanto aparece, as defesas desabam e as roupas escorrem pelo corpo. Provavelmente o mais correto seria não sorrir se dele sai como fruto somente a fome. Agora me perco entre o que acho certo e o que sinto. Mas pensar no que sinto seria egoísmo. Te falar o que sinto seria evitar que você esquecesse e esquecer é sempre a única solução.
Não só pra isso, mas queria ser diferente. Provavelmente ninguém de fora sabe realmente o quanto alguém pode querer mudar. Mas minhas palavras não precisam fazer sentido se não houver interesse. Mas a verdade é que eu queria que fizessem, para todo mundo. Queria falar de sentimento como se isso não gerasse compromisso e obrigação. Como se você entendesse que meu medo de apego sempre foi o contrário da preocupação comigo. Mas, na verdade, existe um sentimento de pânico em não conseguir suprir todas as expectativas. Não sei se posso conseguir um sorriso seu todos os dias e por isso prefiro não o ter dia algum. Como se o melhor que eu pudesse fazer por alguém fosse minha obrigação. Assim sendo, cuidar não é qualidade, é o trabalho padrão. E, se o que devia ser algo positivo é neutro, o ruim é pior, fico cansada de nunca ser boa o bastante uma vez que o "ser boa" já é o esperado, não surpreende ou supera as expectativas.
A vontade aqui é de correr, pular nos teus ombros, chamar do apelido preferido e dizer o quanto esperei para te ver. Dizer bobeira pra te fazer rir toda vez que você estivesse cansado, triste, estressado, pra baixo e etc. Como se qualquer coisa valesse para te animar. É difícil esquecer do que sinto ao teu lado. Mas, se eu te falasse o que sinto, as palavras poderiam te fazer sofrer. E como proceder, se parece que a falta delas também poderia te machucar? Assim fica muito difícil! Então vamos ficar com a sinceridade. A verdade é que tudo que é, é de verdade. Tudo que se foi não mudou de significado com a distância. E sabe o que ainda vejo? "Meus sorrisos que ultimamente são tão seus".

domingo, 28 de abril de 2013

Como você pode? - ele perguntou.
Como você pode despejar palavras em sequencias de ações que nunca existiram? Criar tanta mágica e virar para o lado na cama almejando apenas um sono tranquilo como se não fosse nada de mais. Toda essa vida pulsando nas veias e você mistura com álcool um sangue tão puro; tão doce. Como se fosse jovem e a juventude não fosse algo que pouco a pouco vai deixando de habitar seu peito.
Tomou outro gole, e percebeu que nem devia ter começado. Mais um e percebeu o quanto estava perdendo  fora de sua tontura particular. Podia declarar o quanto, de forma alguma, podia fazer parte do grupo. De nenhuma maneira estava destinada a ser normal para a maioria. Como se fosse importante participar.
Tentou focar a vista em pontos específicos e esperar tudo passar, mas a mente começava a se perder, como se fosse embora de férias e deixasse o corpo largado à descoordenação.
O tempo passa e os problemas se resolvem quase que sozinhos, automaticamente. Esperar conserta quase tudo.
Ela sempre escreveu enquanto esperava o tempo fazer efeito. Sobre ela; sobre eles; sobre ninguém. As palavras eram formas de expor invenções ou readaptações. Ser real é o que menos importava. Nunca se esqueça que o importante é a mensagem passada e o quanto ela pode significar para ela ou para alguém.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Done with special

Que diferença ela tinha?
Qual número inacreditável usaria para conquistar toda a corte?
No espelho o rosto é sempre o mesmo: vermelho por inteiro
Mas a história continua se repetindo
Tamanho fascínio
Recendido por quem não consegue sorrir
Sem transformar mundos

Gostava tanto do simples
Queria o simples para ela também
Mesmo que houvesse possibilidade de jamais o ter

Enquanto isso, pensava em se isolar de tudo,
Afastando qualquer mal que possa vir a fazer indiretamente,
Como se, com isso, pudesse resolver os problemas
Não chegando a causá-los

Mas é tão triste e solitário
Saber os efeitos de meros olhares
E, dessa forma, ter que manter as pálpebras cerradas
Perdendo tanta beleza em viver

Aposto que o rosto está vermelho agora
Enquanto ninguém olha, está vermelho
E a história sempre se repete
Mas, assim como o sol volta ao seu lugar,
Todos têm um papel a desempenhar

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Rei do castelo

De que forma fostes eleito, grandioso Rei?
E, desconsiderando o processo eletivo,
Quem levantou teu nome como opção?
De todo sangue azul conhecido
Jamais imaginei tua vontade em reinar meu castelo
Tão pouco que você considerou a possibilidade de fazer parte de mim
Até onde sei.

Mas o dia chegou
E, caminhando por sobre as pedras frias,
Deixastes teu cheiro
Tomando para si
Tudo que havia pertencido a mim.

Não sobrando escolha ou fuga,
Também eu virei pertence de ti
De teu trono, morada do meu coração,
Passastes a comandar todo o vilarejo

Fechou os portões, aprofundou os fossos
E lá permaneceu cultivando os campos de alimento
Manteve as janelas abertas para não faltar sol.

Não conteve sorrisos ao povo,
Já não havia razão para esconder o sentimento:
Se encontrava exatamente onde queria estar.

E o castelo foi bem cuidado
O feudo prosperou em suas mãos férteis
Meu coração jamais ficou seco despedindo-se do sangue
Porquanto não conseguia mais deixar o pulsar

Não fui eu a responsável por sua chegada
E, como era o certo,
Não precisei me esforçar em evitar tua partida
Apossou-se de meu território
E, de nosso castelo, me fez rainha.

Magic girl of funny noises

Não precisei de muito para enxergar,
Além das janelas e cortinas,
E encontrar você
Descansando uma das mãos em teclas
Outra em lápis aquarela
Enquanto criava um mundo melhor.

Veio, sacudiu os cabelos
E sorriu.
Ignorando que é preciso mais que isso para conquistar alguém
Acabou por me deixar rendida
Sentindo que a verdade é que não faltava mais nada
Percebi que tudo que era necessário era encontrá-la
Vê-la real dando esperança para crer em salvação
Envolta de luz e eternamente especial

Como eu poderia não ser tão feliz?
Me alegrar facilmente com simplicidade
Uma vez que conheço tanta coisa boa
Boa como você,
menina dos barulhos engraçados,
um anjinho para mim.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Alegria

Esta alegria que sinto agora
Do que me serve se,
Sendo intransferível,
Não posso te entregar numa bandeja
Como há muito tempo gostaria de fazer?

Não entende?
Não vejo o sorriso que tenho:
O que me interessa é o teu!
E para que me preencher
Se não posso te completar?
Para que serve confessar os pecados
Se o ato não iria te salvar?
A melhor coisa do mundo
E me vejo de bracos cruzados
Obrigatoriamente cruzados

Trocaria de lugar com você
Hoje e sempre
Mas tudo que posso fazer é tentar te guiar
Tentar, insistir. Recomendar e pertubar
Não posso andar o caminho por você
Tão somente posso garantir que estarei ao teu lado
Sempre que precisar




sexta-feira, 29 de março de 2013

Poesia pra você :)

Te devia um poema
Já que roubei teus sorrisos
Mas é difícil escrever
Se você me rouba as palavras

Aliás, é tudo culpa tua
Se te deixo feliz é porque sou
E, se sou, é por causa de você
Simplesmente por estar aqui

Desde a vontade de dar bom dia
Até vontade de morar no teu abraço
Tudo é responsabilidade de quem cativa
Não é, Pequeno Príncipe?

Então fica aqui uma prévia
Do que quero te escrever um dia
Quando minhas palavras voltarem
Obrigada por tudo

Tempo

Ele sabia que não era o momento certo. Queria não saber, porque sentia em seu coração a vontade de avançar e gritar tudo que estava cansado de dizer para si mesmo. Mas, maldito caráter, maldito pensar; não o deixavam seguir em frente. Por que o tempo tem que ser tão cruel? Nada pode independer dele de modo que funcione, atemporalmente? Mas não, não funciona assim e eu sei que não. Por isso prefiro o romance irreal, as cenas imaginadas enquanto o corpo só se envolve com a cama e seus cobertores. Prefiro criar o que acontece entre nós e manter só pra mim. Assim não te machuco, apesar do que causo em mim. Você sabe sobre o tempo. E eu, infelizmente, também.