sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Incontido

Só de pensar em você, me encontro sorrindo. É automático. Chega a ser injusto pensar que agora passo tão pouco tempo escrevendo.
Talvez seja porque a maior parte do tempo estou contigo. Sendo feliz.
Pela primeira vez em muito tempo passei meu aniversário sem nem um tantinho de inferno astral. Pelo contrário. Passei o mês inteiro preenchida por uma alegria empolgante que me fazia querer pular. Até pulei, na verdade. Principalmente nos seus braços.
É tão bom notar o quanto a vida evoluiu, sabe?
Quem ia imaginar que eu reencontrei alguém que conheci quando era adolescente. E que esse alguém seria tão compatível comigo. E finalmente conseguir viver em paz e feliz constantemente.
Eu sei que ninguém é incompleto sozinho. Mas é tão bom poder relaxar e ter alguém para cuidar de você. E como sou bem tratada e cuidada e valorizada e querida. E é tão bom ser finalmente tratada como mereço que estou quase transbordando aqui. Socorro!

Vou parar com o texto meloso. Por hora.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Seu abraço

Eu volto pra cama
Você me agarra
Me prende no abraço
Me esconde no peito
Você sorri enquanto fareja meu cabelo,
Os fios fazendo cócega no seu nariz

Me conta uma história
Me faz cafuné
Eu durmo perfeita
A cama desfeita
Me faz ter saudades

O perfume no travesseiro,
Que seguro com força,
Lembra você

Mais tarde você volta
E bate na porta, ao anoitecer

Me chama
Me diz que me ama
E faz esquecer
Toda mágoa passada
Faz em mim morada
Só quero você

quarta-feira, 22 de março de 2017

2 meses.

Quando penso em você me encho de alegria.
Hoje completamos dois meses. Parece mais? Porque é muito mais que só dois meses. Na verdade, já faz muito tempo que somos aquilo que o rótulo não declarou, não é mesmo?
É por isso que é engraçado perceber esse nível de maturidade num relacionamento tão novo. Até parece que somos adultos.
A verdade é que aprendi com você algo muito novo. Sempre procurei por pessoas parecidas comigo. Mas percebi que, mais importante do que isso, é a compatibilidade. E então não importa se pensamos diferente, se temos gostos diferentes. Quando estamos juntos, tudo se completa. E isso é interessante, porque me permite ver um mundo diferente e, ao mesmo tempo perceber, que meus gostos e pensamentos podem mudar e evoluir. Ao mesmo tempo, é impressionante notar quanto temos em comum, inesperadamente, e tirar o máximo de proveito disso, meu companheiro para todos os momentos.

Existem muitas qualidades que eu gostaria de ter em alguém que encontro em você. E portanto com você me sinto o melhor de mim. Protegida e cuidada como sempre achei que deveria ser. Também acho bacana finalmente ter percebido o quão perfeita é a frase daquele filme ruim ``Nós aceitamos o amor que acreditamos merecer``. E por que apaixonei-me por ela? Porque é totalmente verdade. Ninguém é obrigado a estar com ninguém,. Logo, todo o mal que alguém pode fazer continuamente, acontece porque permitimos. O mesmo com tudo de bom. Mas não é só por isso que adoro essa frase. É porque vejo, hoje, o quanto me valorizo. Passei por momentos em que eu poderia ter aceitado coisas ruins para mim, mas decidi que não e, ao fazer isso, percebi que meu amor próprio é grande. Eu mereço muito (porque também faço muito por onde merecer). Por que estou falando tanto sobre isso? - Você deve se perguntar, cansado de ler:

1. Você não tem papel em casa. Que tipo de pessoa não tem papel? Se você tivesse, minha mão estaria doendo, e eu estaria economizando palavras.
2. I`m a writer, deal with it.
3. Se eu me valorizo e você está ao meu lado, perceba: Você é incrível!
Você pode não ser perfeito - e ninguém é - mas você é exatamente o que eu queria para mim.
Eu não preciso me conter ou me esconder por medo de que você vá embora. Não me orgulho totalmente disso, mas nem preciso me controlar quando estou com raiva, porque você entende. E eu vou me controlar com o tempo, claro, é que estou apreciando essa liberdade maravilhosa de poder transbordar de sentimento, independente de qual seja. Além disso, me entender não é abaixar a cabeça. Você tem a perfeita coragem de olhar nos meus olhos enfurecidos e dizer ``sinto muito, posso errar em muitas coisas, mas não acho que esteja errado agora e acho que você está exagerando``. Eu lembro disso e fico com vontade de rir da cena. E você estava certo mesmo. Eu sou uma pessoa muito exagerada.
Quão maravilhoso é poder gritar com alguém ``você quer me deixar maluca?`` e ser completamente desarmada pelo seu carisma encantador. Alias, o seu charme torna muito difícil sustentar meus argumentos. Acho que vamos sempre ter que discutir por mensagem, by the way.

Você sempre se preocupa comigo. E sempre me quer ao lado, me fazendo sentir a pessoa mais querida do mundo. Você tem problemas e dificuldades, mas praticamente sempre está sorrindo, o que faz com que qualquer coisa seja leve. É bom estar ao seu lado. E eu percebo isso quando conseguimos estar em silêncio, sem que ele seja constrangedor. Acho que essa é a maior prova de quão confortável você se sente do lado de alguém.

Eu vou parar por aqui, mesmo sem vontade de parar. Acho que até para mim esse texto está ficando grande.

Mas obrigada por tudo. Você apareceu num dos momentos mais difíceis da minha vida. Sabe disso. E aos poucos foi ajudando a me recompor. Sei que ainda há muito para se resolver, maldita monografia, conseguir um emprego... esses são aspectos que você não pode suprir. Mas baby, quando tudo isso passar, eu vou te afundar em pilhas e pilhas de comidas deliciosas e montes de chocolate branco com Oreo.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Hoje

Hoje eu acordei me sentindo completa. Eu, que já tinha me acostumado a acordar pedaço. Respirar e viver como um caco de gente. Perder minha mesmice no ópio. Mergulhar minha cabeça em álcool. Eu, que sempre adorei estar só,  me escondi em tumultos; evitei o silêncio. Ignorei a inspiração. Usei a boemia como distração.
Hoje... hoje não.
Hoje eu vejo na chuva uma razão para escrever. A cabeça ainda no travesseiro, mas a luz não incomodou. Transbordei em mares de poemas a serem escritos, usei minha pele de rascunho. Senti o coração batendo e esquentando o sangue.
Hoje acordei sorrindo para o teto. Sentindo o conforto da mantinha macia. Estiquei o corpo até os pés saírem da cama. Só para senti-los mais quentinhos retornando para a coberta. Tomei café na sala, luzes apagadas e cortina fechada. Sem série. Sem música. Apenas comi sem algo que roubasse minha cabeça do momento que vivo.
Meus olhos emocionados. Meu corpo querendo pular. Mal posso conter o sorriso.
Hoje eu, que estava perdida, voltei.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Paz

Avistei-a nua.
A janela aberta.
A mão relaxada sobre o parapeito. E o peito exposto para a noite.
Noites de verão são frescas, ela pensou. Um banho relaxante e qualquer brisa separa a alma do corpo em projeção astral. Observava o sereno porque era como sentia-se. A alma lavada nas gotículas de orvalho que antes encontravam suas rosas, não mais existentes. O jardim estava ressecado, mas trocou as flores por temperos. Trocou algo que escolhera baseado em sentimentalismo para achar o útil: gostar daquilo que faz bem.
Então, a vida tornou-se carrossel. Voltas e voltas, sem parar, de luzes, música temática, cheiro de pipoca e gosto de algodão doce. Até era cansativo, de vez em quando - nunca parar. Mas também era o que trazia conformidade.
Até o tão esperado momento em que olhar através de uma janela fosse suficiente para reafirmar a paz. Aquela sensação de que você encontrou um amigo querido e distante que você mesmo se torna enquanto apenas sobrevive. E a temperatura parece perfeita. E o tom negro da noite parece o ideal. E o silêncio te preenche sem causar nem um pingo de solidão. E como é bom ter paz.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Street Spirit

A primeira sensação é o sufoco. O ar subitamente parece faltar. Então, os sons do ambiente começam diminuir gradativamente, ao passo que as batidas do coração acelerado se tornam ensurdecedoras. Você percebe que começa a não ter controle de si. Pensa em gritar por ajuda, mas está fraco demais; cansado demais. Idealiza que, talvez, se ficar bem quietinho, tudo vai passar. Você tenta controlar. Porém, a visão escurece lentamente até que, num piscar de olhos depois, o mundo não é mais o mesmo. A cena mudou. Agressivamente, várias mãos em você, sem que identifique a quem pertencem. Várias vozes, gritos e choros sem face. A desorientação. A irritação causada pela desorientação. Pouco a pouco, recobra os sentidos. Percebe que está no chão. Sente alguns doloridos de pancadas inconscientes. Você respira forte. Reconhece todos que estão lá por você, tentando ajudar. Entende o que aconteceu e aprende que tudo passa.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Julián

Escrevi tanto para desabafar que esqueci de descrever o irreal. De fechar os olhos ouvindo aquela música eletrônica que vibra o coração junto. Sentir-se em outro lugar, onde as luzes piscam sem fim, coloridas, inconstantes. Esqueci de aparecer para dizer que o toque do seu corpo ficou gravado no ritmo da batida. Que foi bom te conhecer de uma forma não dramática, sem pressão. Que os dias se tornaram festa.
Esqueci de escrever o tempo todo. Da fila do pão ao tédio na aula. Nem que fosse para dizer que o dia está confuso hoje. Chove, faz sol, o calor impede de chover mais e tem nuvens tapando o sol. E o clima muda. O tempo todo.
Não lembrei nem que posso inventar um amor da minha cabeça para passar o tempo. Faltou a memória de que sou um ser mágico, inexistente, perdido. Que posso gastar páginas descrevendo o tom da minha parede de acordo com a iluminação espalhada em gradiente. Com listras. Sem listras.
Fiquei com preguiça de ter que pensar em finais brilhantes para textos. Daqueles impactantes e cheios de sentido quando, na verdade, minha cabeça está trance music. Descrevo apenas o impalpável. Não penso.
Gosto de ser transportada para esse mundo de balada e apenas mover meus dedos pelo teclado acompanhando a música vazia, animada. Gosto mais de saber que essas páginas estarão sempre aqui para me acolher.

sábado, 17 de setembro de 2016

Depois de você

Não, você não sabe o que fez. Não, não me deixou nenhuma escolha a ser feita ou decisão a ser tomada. De nenhuma forma que imaginei meu futuro, pensei que isso seria real. Pessoas já me magoaram. Claro que já. Até pessoas com pouca intimidade. Afinal, posso ser sensível e frágil, às vezes. Mas nenhuma delas me fez pensar que eu nunca mais vou poder confiar em alguém.

Querer ser sozinha, sempre quis. Tinha o costume de fugir de qualquer provável futuro relacionamento. Isso porque fico melhor só. Agora, pensar que, nem que eu queira, nem que eu me apaixone, vou poder ter um relacionamento, dói. Dói porque percebo que talvez meu senso de julgamento não tenha sido dos melhores. Porque se até você foi capaz de não ser confiável, o que eu posso esperar de qualquer outra pessoa?

Deve ter, claro, alguém no mundo que jamais faria mal. Eu sou assim. Mas, depois de você, eu não tenho mais parâmetro.
Então, não é pelo término que hoje sinto dor. Sempre fui platônica.
É pela falta de perspectiva em relação ao futuro.
É por saber que alguém como você teve coragem de pegar meu ponto vulnerável - Justo aquele, o mais difícil de conquistar - e perfurá-lo. Diversas vezes. Sem piedade.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

The King knows me so well

Longe de mim,
Flutuando na água escura,
Vi a garrafa de vidro que esperava encontrar
Aquela antiga mensagem de amor.

Provavelmente estaria vazia
Talvez não.
Provavelmente teria resquício de bebida velha
Mas que diferença faz se não posso alcançar?

Enquanto não afundo os pés nas ondas
Enquanto não sinto sua temperatura me congelar
Ela pode ser a garrafa que espero
Portanto, não a sigo

Niemeyer e suas curvas
Frente as barcas que se encontram
Os carros que se cruzam Rio-Niterói
E as pedras tentam barrar a água
Tentativa não analisada de contenção

Minha garrafa foi para mais longe
Enquanto me distraí escrevendo num pedaço picotado de árvore
Parece que o sol esfriou desde que sentei aqui
Mas ele apenas se fez distante, e fez falta

E eu nunca realmente tentei perseguir aquela garrafa estúpida.

Jardim em diagonal

Onde fui, as paredes eram negras
O silêncio do tom era quebrado apenas pelos traços harmoniosos em giz
Suas formas espirais, espalhadas.

Havia um pequeno palco
Músicos tocavam num ritmo animado
Mesmo as músicas sobre dor.

Encontrei-me perdida mas refletida no espelho
Me apaixonei pelo sorriso que não mais via

Existe um lugar que vou pouco
Mas é o mesmo lugar de onde nunca quero sair
Nele, o jardim cobre a ladeira
E seus encantos se apresentam como uma curva no mundo
E somem, atrás de um muro de vidro

Nunca vi seu fim
Ou pude me aproximar
Mas ele estava lá
E só de tê-lo encontrado, soube que tudo ficaria bem