terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Inesquecível

Dizem por aí que é muito mais fácil ter momentos marcantes num início de relacionamento. E é. Logo, é de se admirar que mesmo depois de tanto tempo momentos se tornem inesquecíveis. A parte boa é que depois de um tempo você já sabe como funciona e mesmo enquanto está vivendo aquele momento é capaz de identificar exatamente o que ele vai se tornar na sua memória.
Sei que hoje é um dia em que eu vou  conseguir fechar os olhos, lembrar do seu sorriso, lembrar de como ainda tenta me agradar. De como é muito mais intenso ganhar algo sem pedir por; de como você consegue ser um personagem dos meus contos românticos.

O que tenho a dizer é que dias como hoje me fazem confiante. Confiante de que você me quer. Confiante de que pouco a pouco vai me deixando te conhecer e te ter, até que estejamos misturados.
Hoje também me faz pensar no motivo pelo qual decidi começar essa história. E decidi porque vi em você tudo aquilo que eu queria em alguém.


quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Coeficiente

Mera coincidência
Te encontrar perdido
Perdidos.
Um sorriso mais tarde
Suficiente
Te esperar na saída
Conversar na madrugada
Casar num domingo
E eu tenho sonhos
Só de te olhar dormindo
A aliança num cordão
Guardada contra o peito
E você me quer
E você não vai embora
Folhas do calendário caindo
Datas comemorativas passando
Presentes embaixo da árvore
E o seu olhar perdido
Gravado em mim
Guardado em mim
Permanece
É o comparativo
Uma lente para te ver agora

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Naufrago

Eu tenho medo do mar
Medo daquilo que não se pode controlar
A pressão das profundezas
O impacto das ondas na beira
O esmagar contra as rochas
A ressaca.
A correnteza.
Tenho medo daquilo que me hipnotiza
Que usa sua beleza para atrair e aprisionar

Existe uma similaridade entre o mar e as pessoas
O ímpeto traiçoeiro escondido no reflexo
Ambos fazem você se aproximar
Para terminar tonto
Embriagado, cambaleante
Louco de sede mesmo cercado por água
Preso em Atlântida
Naufrago numa ilha

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

M.M.F.

Acho engraçado reparar hoje que em um período distante eu não me considerava apta a namorar. Pensei que precisava estar sozinha: conhecer-me, cuidar-me. E nesse tempo eu conheci alguém. Alguém que me fazia perder o sono. Que me fazia dormir tarde mesmo acordando cedo no dia seguinte, só para aproveitar um pouco mais de sua companhia. Alguém que eu tinha vontade de conversar todo o tempo e contar tudo que acontecia - Eu fiz um amigo. E durante um tempo essa amizade fortaleceu-se antes que eu descobrisse que estava encantada por ele. Que eu sorria sem perceber e sem conseguia controlar, quando estava com ele ou até quando apenas pensava nele. Quando ele teve sentimentos por mim, fugi; achei que não estava pronta. Que o compromisso significava abrir mão de mim mesma para cuidar de alguém e eu, tão quebrada e defeituosa, jamais poderia botar alguém em primeiro plano. Fiquei distante por um tempo, tentamos conversar algumas vezes, mas sempre ficava difícil demais estar perto, sentindo o que sentíamos. Os olhares eram tensos, faltavam palavras.
Posso dizer que a intensidade do que eu sentia continuou nesse período, platonicamente. E eu conseguia dizer que ele era diferente. Que os sentimentos eram genuínos mas queria que tudo desse certo, e não iria arriscar qualquer movimento sem pensar.
Até que em um dia, inesperadamente, senti seu beijo de novo. Um simples beijo que acabou com a dificuldade de tudo que eu estava sentindo. Um beijo para mostrar que gostar dele significa cuidar de nós dois.
Tivemos fazes difíceis e ruins, não vou mentir. Considero um período de adaptação. Mas por mais difícil que tenha sido o tempo em que não estávamos juntos ainda, ele me fez tomar todas as decisões certas.
Hoje, sempre que falo de nós, continuo me emocionando. O que sinto por ele é muito forte e sinto-me extremamente feliz e satisfeita e amada e cuidada estando do lado dele. Acho que é por isso que nenhum esforço é demais para fazê-lo sorrir.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

CAPÍTULO 1



Os barulhos do salto do sapato nas ruas de pedra ecoaram pelo silêncio da noite. Duas sombras na parede se moviam com pressa. A presa, uma moça em torno dos vinte anos, gritava – mas não havia resposta. Atrás dela, um homem alto de sobretudo branco se movia sem muita dificuldade para alcançá-la.

- Você não vê? Não adianta fugir. – Ele diz, com seu tom calmo sem ofegar. 

Ele segura sua mão com força, impedindo-a de ir mais longe. Com a outra mão tateia o bolso do sobretudo. Ao encontrar, retira um canivete borboleta, fazendo algumas firulas para demonstrar sua habilidade precisa com o instrumento, enquanto ela geme de medo, os olhos desfazendo-se em lágrimas.

- Vamos ver o que faz de você especial, vamos? 

Ao puxar seu braço para cima, faz com que ela fique equilibrando-se na ponta dos pés. Lentamente, desliza o lado sem lâmina em seu antebraço algumas vezes antes de finca-lo e abrir um corte reto. O sangue começa a escorrer e ela se debate tentando fugir. Ele pressiona a lâmina em seus lábios talhando um pequeno ferimento.

- Pare de me atrasar – Ele diz com um brilho sombrio em seus olhos. 

Imediatamente guarda o canivete no mesmo bolso e retira um pequeno frasco de vidro, preenchido até a metade por um líquido azul, abre a tampa e recolhe o sangue escorrendo do braço dela.

- Agora que fiz meu trabalho, acredito que posso ter meu lazer. 

Seus dedos se inclinam para os botões da blusa dela, abrindo delicadamente os dois primeiros e suficientes para exibir o decote que ela mantinha omitido, sua pele branca se arrepia ao sentir o frio da noite de inverno. 

- Fique longe de mim – Ela grita exasperada. 

Então ele a solta, com as sobrancelhas franzidas. “Não!”, ele diz, enquanto recua. 

- Pessoas como você deviam morrer – Falando entre seus soluços. 

Ela não compreende o motivo pelo qual ele a soltou, mas aproveita a oportunidade para discretamente tomar distância, percebendo que seria inútil voltar a correr. Observa enquanto ele retira novamente o canivete do bolso e expõe sua lâmina. Seus olhos se fecham por alguns segundos antecipando o novo golpe. Entretanto, assim que torna a abri-los se depara com a garganta dele cortada e o sangue espalhado manchando o tecido branco de seu sobretudo. 

O canivete solta-se de sua mão, se chocando contra o chão de pedra. Ele ainda possui o olhar atordoando quando seu corpo se deixa cair também, espalhando a poça vermelha em volta dele. 
Ela recua para trás, confusa e assustada. Quando sente suas costas esbarrarem em alguém. Automaticamente, sente um calafrio por todo o corpo com o pensamento de que ainda não acabou, sem coragem de se mover e sem saber que tipo de atitude tomar. 

Então, sente uma mão pousar em seu ombro.

- Sim, acabou. – A voz atrás dela se pronuncia, com um tom tranquilizador. Soa como um homem velho. 

Virando-se para ele, verifica que estava certa. A figura um pouco mais alta que ela aparenta ter cerca de sessenta anos. Ele sorri, mas ela desvencilha-se da mão em seu ombro e dá um passo de distância.

- O que está acontecendo? – sem saber se corre para trás, onde há um homem morto ou se continua tendo seu caminho bloqueado pelo novo homem desconhecido. 

- Ele é – era – parte de um grupo que faz testes em pessoas especiais como você.

- Parte do teste inclui se matar na minha frente? – Sem saber muito bem responder à esquisitice proposta.

- Não. Obviamente, não faz. Isso veio de você. Entenda, quando digo que você é especial, não me refiro à sua beleza, seu jeito único de ser, ou qualquer baboseira do gênero. Você tem um poder especial, digamos que você possa convencer as pessoas a fazerem o que deseja. Ele não sabia disso quando veio procura-la. 

- Isso se chama lábia, persuasão. Não é poder algum, chama-se linguagem corporal. E eu estou indo embora. – Suas palavras soam exaustas com os acontecimentos a lidar.

- Não vá. Há tanto para explicar.

- Você parece esperto o suficiente para saber que depois do que aconteceu hoje, isso não é hora ou lugar para ouvir qualquer história sem noção. E agora, se quer realmente fingir que possuo poderes, não venha atrás de mim. 

Tomando cuidado para contornar o corpo caído, corre para longe. Ao virar a esquina, sente sua adrenalina aos poucos esvaindo-se. Ele não a seguiu. Ela suspira um pouco aliada pois percebe que não tinha sido esperta ao falar tão agressivamente com outro homem que poderia lhe fazer mal. Mesmo que fosse velho, ela era muito fraca para reagir. Ao chegar numa rua mais movimentada entra em uma pequena loja de café, onde se sente mais confortável, até perceber que sua bolsa caiu em algum momento. 

- Boa noite! Em que posso ajudar – diz o atendente da loja.

- Poderia ajudar me trazendo um chocolate quente. Mas eu perdi minha bolsa, tive uma noite tão difícil. – e ele se põe a preparar o chocolate enquanto discretamente ela estica a manga dobrada da camisa para tapar o ferimento, antes que assuste alguém.

Ela senta na mesa mais perto da janela, perdida em seus pensamentos. “O que devo fazer agora com tudo isso que aconteceu? Ainda estou tão assustada. Queria poder compartilhar isso com alguém agora, mas está tão tarde. E aquilo que o outro homem falou, sobre poderes. Isso é tão absurdo.

Apesar de julgar absurdo, decide que a única forma de tirar isso da cabeça seria testar e constatar que não é real. “Parece fácil conseguir coisas com jeitinho, eu suponho. Isso não é poder”. Retira o celular do bolso da calça.

Venha me buscar. Agora. – Ela digita e envia. “Não é como se fosse alguém importante, caso fique aborrecido, é apenas um conhecido”.

Cerca de quinze minutos depois, entra na loja um homem jovem, despenteado e com olheiras.“Ele veio. Droga!”

- Você está aqui, obrigada! Estava sem sono?

- Não, estou acabado. O que houve? – Parecendo indiferente.

- Preciso que você me leve para casa. Eu perdi a minha bolsa e... – As explicações lhe são supérfluas, ele já está abrindo a porta para que ela passe. Prosseguem num silêncio quebrado apenas pelas orientações de caminho, quando o carro estaciona em frente à portaria do prédio onde ela mora há alguns meses.

- Por que você veio? – Sua voz soa doce, porém confusa.

- Eu não sei. Não sabia que me importava tanto com você. Mas de repente senti que não poderia deixar de vir. 

- Eu agradeço. Durma bem.

Batendo a porta do carro, ela se encaminha para o apartamento, trancando a porta atrás de si, quando sente todo o peso em seus ombros sendo maior do que pode sustentar. Seu corpo escorrega pela porta até sentar no chão, apoiando os braços nos joelhos e escondendo o rosto com as mãos. As lágrimas são inevitáveis. A dor no braço se torna insuportável. Está suja e descabelada. Mas só há um pensamento em sua cabeça:

- E se eu realmente matei ele?

sábado, 25 de abril de 2015

Stella

Let me be that Stella girl
Let me be the "broke away, broke away"
I want more from this life
But I don't want to dive

Some things are invisible
Some things you can't hide

I don't want to fall
Right now, I just want to feel the heat
I know your body has

Maybe it works for remembering
All the chances I had
I could just left
Why did I stay?

Are the people watching?
Are they watching us, watching us?
Am I alright?
Am I normal enought?

"She broke away, broke away"
But I'm still here
As an ode to 'no meaning'
When I know I have just the power to be free


quinta-feira, 26 de março de 2015

Não é um texto artístico.

Como pude deixar passar despercebido? O ócio e o tédio tomaram conta de mim. Escravizaram-me como se eu não tivesse lido os termos de aceitação de um contrato amaldiçoado. Estou repetindo os dias. Assistindo aos mesmos programas. Acho que isso se parece com depressão.
Sentir-se como você não fizesse diferença no mundo.
Sempre fui uma pessoa de poucos amigos. E sempre me dediquei demais ao trabalho. Mas os poucos amigos se tornaram ainda menos amigos, e eles me procuram tão pouco. O trabalho compensava porque eu trabalhava com alegria. Costumava sentir a felicidade no ambiente junto da sensação de que as pessoas gostavam de mim e se importavam comigo. Mas não...
Sempre fui uma pessoa que aproveita o tempo sozinha. Mas eu não me sinto apenas só. Me sinto solitária.
Sinto falta de interagir mais com as pessoas e de ter mais pessoas para interagir com.
Ao mesmo tempo que meus problemas parecem pequenos, eles doem. Principalmente, porque eu sinto que estou piorando com o tempo.
Eu sei que tenho que me recompor. Achar uma solução. Mas agora... eu só precisava desabafar.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Princesa

Infelizmente, é hora de partir.
É difícil deixá-la nos braços do pesadelo
Ciente de que sou incapaz de protegê-la
Do mal que mais lhe aflige:
- aquele causado por você mesma,
ao desdenhar de si.

É difícil fechar os olhos
Para não ver as lágrimas
Ao mesmo tempo que é necessário suportá-las
Para estar perto de ti.

Em todas as perguntas que construo,
Ao observar teu sono,
Não encontro resposta alguma.
Não vivo teu sonho ou leio tua mente
(E talvez fazê-lo de nada adiantaria)

Se você soubesse a resposta,
Ainda faria isso com você mesma?

Ó amada
Quando penso, nos vejo vítimas
Mas que culpa tem o espelho?
Ou que defesa teria das tuas investidas?

Não existe narcisismo inverso, Princesa
Ver o pior de si também é ser egocêntrico

E que belo egocentrismo escolhestes:
Aplicado em encontrar seus defeitos
Guardar o martírio preso ao pé da cama

Cara amada,
levante teus olhos!
Esse mundo sem esperança já está destruído.

Todos somos anjos caídos,
longe da perfeição.

Você pode buscá-la ou se afastar ainda mais
Mas não fique na inércia
Você sabe como ela funciona

Busque o futuro adequado
Troque quantas vezes for necessário
Mas não escolha a solidão
E não olhe para trás.

terça-feira, 17 de março de 2015

Sorriso em sépia II

Te chamei de sorriso em sépia pela forma como ficou gravado em mim. Parecia fotografia.
Do tipo nostálgico que você guarda para lembrar dos momentos bons e tira um dia para rever de vez em quando.
Te chamei de sorriso em sépia porque não importa o quão nítida a lembrança exista, você sempre foi algo que eu matinha na busca. Uma vontade que nunca passa.
Tudo que eu queria era fazer desse sorriso meu. Sentar na tua frente como se fosse capaz de não me constranger enquanto admiro fixamente cada detalhe. Mas você me olha de volta então abaixo a cabeça, no medo de desejar além do alcance. Construir uma ponte interminável.
Eu queria mais. Queria ser a pessoa a encontrar teu sorriso se porventura perdê-lo. Resistir às minhas tentações de roubá-lo e escondê-lo para mim; devolvê-lo ao rosto rosado do qual nunca deveria ter saído.
Não tenho certeza se foi exatamente o sorriso que me fez ficar apaixonada. Hipnotizada. Refém. Tem tantas coisas em ti que me encantam. O que posso declarar sem dúvidas é que percebi o que eu sentia quando reparei que, a cada breve piscar de olhos, as pálpebras se fechando por frações de segundos projetavam seu sorriso. E ele me fazia sorrir também.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Nós

Sobrevivendo por instinto
Caçamos a comida
Armazenamos a água
Desperdiçamos nossa comida
Jogamos fora nossa água
Queremos a vossa.

Nós matamos;
Nós matamos.
Matamos.

Deixamos extinguir nossa raça
Mudamos para falta de sensibilidade
- Necessária?
Robotizamos;
Esquecemos;
Andamos sobre os mortos.

Queremos o nosso
Não queremos ceder
E então é festa
Todos sorriem
Até fechar o ciclo.
Até o final dos dias.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Em nome da rainha

Saudações!
A rainha espera.
Atire o dinheiro
Entregue seu sangue
Renda-se.
Apaixone-se.

Não!
Ela mudou de ideia novamente
Você não serve
- Ó Miserável de vestes rasgadas,
O coração puro sujo de terra
E as feições desfocadas.

Você teve a beleza roubada
Sugada junto aos impostos.
Mas ela ainda é soberana
Ainda decide enquanto te cansa.

Curve-se
Acostume-se
Sentimentos não importam
Se não param no mesmo lugar
É a verdade.

Curvar-se?
Acostumar-se?
Você não percebe que a força é sua?
Tudo é fruto do seu trabalho
Todo alimento é servido por suas mãos
De seu suor foram feitos os muros que hoje a protegem
Destes o amor e o respeito
A lealdade sem preço
- E sem pagamento
Servistes de escudo e espada.
Construiu seu castelo
Deu-lhe um reino para morar e governar
Desbravou terras em seu nome.

Você ficou cega com o brilho da coroa, camponesa
Incapaz de ver que o controle sempre foi seu
Uma rainha não sustenta seu povo
Não.
É o contrário, e você sabe agora
Como sempre soube

Abra os olhos e lute!